O pão.

Publicado: junho 2, 2011 em Uncategorized
Ontem o céu caiu,
O pobre enriqueceu,
Levantou uma espada,
Seu estômago se encheu.
Os anjos entoaram,
As estrelas sorriram
Por de trás do muro.
De onde meus olhos espiam.
Ontem quem sofria, gargalhou
Quem feria, urrou.
O velho voltou no tempo,
As estátuas criaram vida,
O relógio diminuiu o passo,
O trem que passava, subia.
A mentira virou verdade
E houve pagamento.
O céu misturou a relva,
Ninguém apontou o dedo.
Ontem a justiça veio
Trazer ao mundo
O pão de cada dia.
A chave das algemas,
Veio desmascarar a mentira.
Ontem o céu caiu na minha cama,
enquanto eu dormia.
Num ímpeto suspiro,
Levantei meus olhos.
E dali não houve espada erguida,
A mentira se escondeu
O trem não passou,
E continuaram a apontar o dedo.
Mas a justiça não faltou
E em cima da minha mesa,
continuou a depositar o pão.
Sorri tristemente.
Não por ingratidão.
Mas só por saber que falta o pão em outra mesa.

(Samira Assis)
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