Os olhos de Clara.

Publicado: junho 6, 2011 em Uncategorized

Os olhos de Clara já me diziam,
Coisas que todos vinham a dizer.
Olhos de dicionário
Jogavam no chão
Palavras que eu viria a colher.

E quando as colhia do chão,
Uma delas eu pisei,
Uma delas engoli a seco,
E outras guardei.

Uma delas eu procurei,
A inocência disse que
O tempo as varreu,
E eu acreditei, acreditei…

E não foram só os olhos de Clara
Que me fizeram virar catadora de palavras,
Há uma caixa de guardados,
Cheia de palavras que não ouso tocar
Pelo excesso de espinhos.

Um dia revirei essa caixa,
pra achar aquela bendita palavra
Que fazia brilhar meus olhos.
Mas o tempo varreu mesmo.
Ainda acredito…

E fui na praia e na escola,
Na rua e nas casas
No vazio dos corredores
Nos olhos de Clara, de Maria, de João
De quem quer que fosse,
Buscar aquela palavra de sete letras
Que o tempo me furtou.

Mas houve um dia em que os olhos de Clara
caíram no chão.
Quebrou em sete pedaços,
a reluzente turmalina verde.
Juntei com os milhões pares de sete
Da minha caixa solitária.

E eu continuei a colher
os restos no chão.
E vi que os restos
Um dia poderia compensar aquela única palavra.
Mas Clara não colheu de meus olhos.
Nem Maria.
Nem João.

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